Mais de 130 escolas tiveram entre 10 e 20 dias letivos interrompidos por tiroteios em Salvador em 2025, aponta pesquisa

Cerca de 59% dos tiroteios em Salvador aconteceram em dias letivos Reprodução/TV Bahia Cerca de 59% dos tiroteios registrados em Salvador entre 2023 e 2025 ac...

Mais de 130 escolas tiveram entre 10 e 20 dias letivos interrompidos por tiroteios em Salvador em 2025, aponta pesquisa
Mais de 130 escolas tiveram entre 10 e 20 dias letivos interrompidos por tiroteios em Salvador em 2025, aponta pesquisa (Foto: Reprodução)

Cerca de 59% dos tiroteios em Salvador aconteceram em dias letivos Reprodução/TV Bahia Cerca de 59% dos tiroteios registrados em Salvador entre 2023 e 2025 aconteceram em dias letivos, afetando a mobilidade e a segurança de estudantes das unidades públicas de ensino da capital. O estudo "A Geografia da Exposição: disparos de arma de fogo, território e escolas afetadas em Salvador" , divulgado nesta quinta-feira (13), também aponta que apenas oito bairro concentram cerca de 20% das ocorrências de conflitos. O levantamento foi lançado pelo Instituto Fogo Cruzado e pela Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas. Para dimensionar a recorrência dos tiroteios em dias letivos, o estudo desenvolveu o Índice de Risco de Exposição Escolar (IREE). O indíce é resultado do cruzamento dos dados produzidos pelo Instituto Fogo Cruzado, com os apresentados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísitica (IBGE). 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia 📃📈 Através do IREE, a pesquisa relaciona a intensidade (proximidade), severidade (letalidade) e a persistência (semanas afetadas) em um raio de um quilômetro das cerca de 600 escolas da capital. As regiões da cidade foram analisadas levando em consideração a divisão territorial feita pelas prefeituras/bairro. Agora no g1 A pesquisa aponta que muitas unidades de ensino da capital tiveram ao menos 10 dias letivos interrompidos devido a questões de segurança pública. Em 2023, 45 escolas ocupavam as áreas apontadas como "críticas". Já em 2024, o número aumentou para 74 e diminuiu para 56, em 2025. O estudo apontou que, no ano passado: 133 escolas tiveram entre 10 e 20 dias letivos interrompidos por tiroteios; 183 registraram entre 21 e 40 dias letivos interrompidos; outras 23 escolas ultrapassaram 40 dias letivos interrompidos; apenas 12 escolas não tiveram o funcionamento afetado. "Considerando que o calendário escolar brasileiro possui cerca de 200 dias letivos, esses resultados indicam que, para parte significativa das escolas, a violência armada não representa um evento esporádico, mas uma condição recorrente do território", aponta o estudo. A recorrência dos registros de violência no entorno das escolas pode afetar a mobilidade na região, além da frequência escolar, continuidade das atividades letivas e a percepção de segurança dos estudantes. O g1 entrou em contato com a Secretaria Municipal da Educação (Smed) e a Secretaria da Educação do Estado (SEC) para comentar a situação. Em nota, a SEC afirmou que as escolas estaduais são espaços seguros e que adota protocolos de proteção, ações de prevenção à violência e parcerias com órgãos de segurança. A pasta também destacou iniciativas de apoio a estudantes e profissionais e disse que os 200 dias letivos são cumpridos regularmente. (Veja posicionamento completo no final da reportagem) Já a Smed não respondeu o pedido de posicionamento até a última atualização desta reportagem. Maior risco para estudantes nas áreas de alta periculosidade Conforme os dados do estudo, mais de 23 mil estudantes estavam sob níveis graves de exposição em 2025. Desse total, 2.802 discentes estudavam em áreas caracterizadas como de alto risco, enquanto os outros 20.744 discentes estudavam em unidades situadas em áreas críticas. As unidades escolares localizadas nas regiões das Prefeituras-Bairro Liberdade/São Caetano e Cidade Baixa estão sob maior risco. Na Liberdade/São Caetano, 35,3% das escolas estão em áreas críticas e ao menos 12.643 matrículas são afetadas pela insegurança. Já na região da cidade baixa, 33,3% das escolas estão em zonas críticas, impactando 5.242 estudantes. Ainda conforme dados da pesquisa, os bairros com os maiores índices foram Beiru/Tancredo Neves, Pernambués, Fazenda Grande do Retiro, Lobato, Valéria, Federação, IAPI e Castelo Branco. Dos 3.748 tiroteios registrados no período, 740 ocorrências aconteceram em um dessas localidades. Essas regiões são majoritariamente ocupadas por pessoas não brancas e de baixa renda. No caso de Beiru/Tancredo Neves, por exemplo, 91,2% da população é de pessoas não-brancas e a renda média corresponde a R$ 897,58, conforme dados do Censo Demográfico de 2022 do IBGE. Origem dos conflitos armados O estudo apresentado pelas instituições aponta também que a maior parte dos tiroteios no entorno de escolas aconteceu por intervenção policial (37,4%). Outras motivações registradas são casos de homicídio ou tentativa de homicídio (32%); disputas entre grupos armados (10,7%) e tentativas de roubos consumados (11,1%). Parte dos casos não foi identificada durante a pesquisa, mas há pequenos registros de brigas, tiros a esmo, ataques a civis, casos de sequestro/ cárcere privado e até de tortura. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) para solicitar um posicionamento sobre a situação, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O que diz a SEC "A Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) informa que as escolas da rede estadual são espaços seguros e acolhedores, onde, além de aprendizado e atividades esportivas e culturais, é garantida segurança alimentar e nutricional aos estudantes. Na rede estadual, os 200 dias de aula por ano são rigorosamente cumpridos. As unidades da rede estadual contam com um protocolo de apoio e proteção escolar, que define processos e procedimentos para a promoção da segurança e da cultura de paz nas escolas da rede pública de ensino. A aplicação do protocolo é acompanhada pelo Comitê Estadual Intersetorial de Segurança Escolar (CISE), ao qual integram órgãos públicos e privados e representantes da sociedade civil, que atuam, coletivamente, para prevenir a violência nas escolas. Além disso, há uma parceria com a Ronda Escolar, a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública. A SEC também desenvolve iniciativas de assistência psicológica e social para estudantes, professores e funcionários, e políticas que buscam integrar escolas e comunidades com programas como Dia da Família na Escola, Férias na Escola e Escolas Abertas no Fim de Semana. As unidades de tempo integral cedem equipamentos como teatros, quadras poliesportivas, piscinas e campos de futebol society para uso comunitário. A rede estadual também possui ações pedagógicas voltadas à prevenção da violência, entre as quais se destaca o projeto Oxe Me Respeite – nas Escolas, realizado em parceria com a Secretaria das Mulheres do Estado, voltado a ações pedagógicas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero. A SEC também integra o Bahia pela Paz, programa do Governo do Estado voltado à prevenção e à redução da violência letal entre crianças, adolescentes e jovens em situação de alta vulnerabilidade social, bem como ao fortalecimento de suas famílias. A iniciativa adota uma perspectiva ampliada de segurança pública, articulando ações de cidadania, garantia de direitos, inclusão social e atuação qualificada das forças de segurança, por meio da integração entre secretarias estaduais e do apoio do Sistema de Justiça. Por meio da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, a política do Policiamento Orientado pela Inteligência direciona as ações preventivas e repressivas contra a criminalidade em todo o Estado. O trabalho de inteligência e os investimentos em novas tecnologias garantiram, em 2026, a redução em 20% das mortes violentas e de 12% das ocorrências de mortes em confrontos. Os protocolos de reforço do policiamento são acionados em áreas conflagradas, garantindo o funcionamento das escolas e do comércio, além da circulação do transporte público." LEIA TAMBÉM: Bahia tem 5 das 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025 Seis das 10 cidades mais violentas do Brasil ficam na Bahia, diz estudo Forças de segurança da Bahia têm efetivos menores do que os previstos, aponta pesquisa Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻